escrevo porque gosto, escrevo para me libertar, não para agradar. ps. todos os textos são da minha autoria, os créditos inventaram-se por alguma razão.

abril 05, 2010

Abismo

«1 Mensagem Recebida»

Senti algo a percorrer-me o corpo. Minhas mãos perderam a força e o telemóvel embateu o chão. Gritava furiosa e silenciosamente «porquê?». Debaixo do chuveiro, a água percorria cada recanto do meu corpo, e ali, as minhas lágrimas confundiam-se com as pequenas gotículas.

momentos. olhares. frases. abraços. sorrisos. lágrimas. palavras. objectos. carinhos. toques. visões. sentimentos. beijos. lugares. horas. incertezas. tentativas. experiências. saudades.
Era somente isso que vagueava na minha mente.

Sinto que caminho por uma fina linha, pronta a quebrar... Em apenas um desequilibro irei ao (re)encontro do abismo.
Escuro e frio. Triste e solitário. Arrepiante e desorientado.

No fundo, cruel amante, foste tu quem me tirou do abismo em tempos. Sim, tu. Tu e mais ninguém. Foste tu sem o saber, sem o sequer sonhar...
Enquanto te fazia pensar que não, para te afastar. Enquanto te (e me) enganava. Enquanto te negava, a ti e ao desejo. Enquanto sonhava contigo e parava nos braços de alguém. Enquanto sofrias e eu fingia que não me importava.
Perguntaste-me porquê. Dei-te a primeira resposta que me surgiu e não a verdade.

Então aqui está a verdade:
Confesso-te. Adorava a importância que recebia. Não queria abdicar dela, nem possui-la por completo pois tinha feridas por cicatrizar, memórias por apagar...
Confesso também que não era apenas uma receptora, dava-te a maior importância, podia estar rodeada de pessoas, mas os meus olhos e ouvidos pairavam somente em ti.
Cada toque, cada palavra, cada troca de olhares eram desculpa para o meu sorriso aparecer. Mas disfarçava-o e disfarçava-o bem.
Lembro-me especialmente de um momento; Apenas uma parede nos separava do resto das pessoas, olhava-te fixamente, falava-te com os olhos. Implorava que não fosses embora, que ficasses ali comigo e que me abraçasses com força. Lembras-te ? Pela primeira vez não me esforcei minimamente em disfarça-lo.
Aí, caí em mim. Possuías a chave, e eu continuava a forçar a fechadura, quando deixei de fazer pressão sobre ela já era tarde de mais. Desculpa.
Foi o único erro de que me arrependo, e a única coisa que mudaria.
Conseguiste, salvaste-me. Ironia das ironias; foste sol de pouca dura e trouxeste-me de novo para o abismo.

1 comentário:

  1. adorei o teu blog eu tbm tenhu um dpz passa por la e comenta adorei o teu

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